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Opinião: Gerenciamento Ruim - O caminho da RIAA

Publicação original em inglês por Bob Cherry - 14 de setembro/2003 pelo seu website musical www.cybergrass.com Opinion: Bad Management - The RIAA Way
Tradução em português por Erio Meili

O Banjo-Bob (Bob Cherry) escreve: A RIAA (Recording Industry Association of America) disse que "a maioria dos álbuns perdem dinheiro após incorporar os royalties e o marketing". USA Today disse, "Que mais, um estudo recém comissionado achou que os preços de CDs, se tivessem acompanhados a inflação desde o seu nascimento em 1983, deveriam custar USD 38,23". Mas como fica a questão do custo da produção? Produzir CDs custa somente uma pequena fração daquilo que era 15 anos atrás. CDs virgens costumavam custar 15 dólares cada quando apareceram. Agora você os compra empilhados por 1,5 centavos de dólar cada. E quanto aos Royalties dos artistas?!?! Mais do que 85 % dos artistas NUNCA viram qualquer royalty, então isto não faz parte do problema. Aquilo que a indústria fonográfica atualmente paga de royalties reais é uma percentagem insignificante do valor bruto em dólar. Os artistas fazem o seu dinheiro na estrada com apresentações efetivas. Porque a Associação Cinematográfica da América (MPAA Motion Picture Association of America) não esta sofrendo do mesmo problema? Talvez isso seja pelo seu estilo de gerenciamento (management style).

Aqui o assunto começa a ser interessante. O custo para ir ao cinema está em torno de USD 8,00. A produção IMAX custa somente USD 12,00 para as melhores cadeiras. Após acrescentar a pipoca, docinhos e refrigerante, você acabou de gastar talvez USD 20,00. O custo de um DVD numa loja varejista deverá estar em torno de 10 a 15 dólares . Agora compare isto com o custo de ir a um concerto. Os ingressos podem variar de 35 a 100 dólares. Os lanches somam facilmente de 5 a 15 dólares por pessoa. O custo para comprar um CD de 40 minutos é de 15 a 24 dólares.

A película de DVD oferece múltiplos idiomas, comentários chaves, focadas especiais, promoções múltiplas de cinemas, destaque múltiplo de trechos de vídeo e áudio, chaveamento múltiplo de áudio e uma variedade grande de feições tais como mostrar em vídeo de como foi feita a produção de filme. Os livros e estojos para os DVDs ganharam uma grande melhoria sobre os vídeo cassetes e fitas K7 comuns. O DVD oferece uma qualidade real de áudio digital para televisões com telas de alta resolução que são ótimas. Um áudio de 5 ou mais canais dá um som real de surround, a qualidade THX Dolby que você encontra nos teatros da atualidade. A qualidade da produção é espetacular para a maioria dos principais DVDs hoje-em-dia. Mesmo o Disco Laser os anos 70 tinha muito destes destaques - há 30 anos atrás.

O CD de áudio contém as mesmas 10-12 faixas, mesmo se o CD pudesse facilmente acomodar o dobro (2 jogos de CDs para um estojo único são comuns). O CD normal de áudio hoje não contem nada novo daquilo que o velho vinil tinha, e de fato, muitos dos álbuns antigos continham 12 à 15 faixas - não somente 10. Para a grande maioria, as anotações e a arte da capa são inferiores aos que costumavam ser colocados nos principais LPs (estão melhorando) e o formato menor se torna mais difícil para ler e limita quilo que se que dizer atualmente.

Agora um outro fator interessante. De acordo com os estudos da indústria, o custo médio para produzir um longa metragem está em torno de 75 milhões de dólares. Muitos passam bem dos $ 200 milhões para produzir. Faça um contraste disto para produzir um CD "top-talent" de hoje. Talvez, em caso de ter também um vídeo de música, o custo poderia alcançar 1 milhão de dólares. Em média o custo de se produzir um CD para um artista popular gira em torno da metade disto, ou seja 500.000 dólares.

Ambos, o CD e o DVD necessitam promoção e propaganda e isto anda no mesmo patamar exceto que o DC vai imediatamente ao ar pelas rádios enquanto o filme fica retido durante meses. Os custos são parecidos para ambos. Os dólares de propaganda são aqueles que não fazem diferença se eles vão para um filme, um CD ou para um outro produto de consumo qualquer. Propaganda de DVDs não custa mais do que propaganda de CDs de áudio.

Um áudio de 40 minutos de dois canais custa mais caro ao consumidor que uma produção de um filme de 2 horas com Dolby surround de 5 à 6 canais acrescentado por destaques de valor adicionado.

A indústria fonográfica (RIAA) diz que ela produz muitos álbuns que não vendem. Muitos filmes também são fracassos tanto quanto muitos álbuns são fracassos. O fato que a indústria de cinema tem menos falhas poderia ser que os executivos do cinema tenham mais cuidado aonde e como seja gasto seu dinheiro. Se o lado da música tem um índice alto de falhas, a indústria da música deveria melhorar o quadro gerencial.

Vamos dar uma olhada nas diferenças gerencias entre a indústria fonográfica e a indústria cinematográfica. Uma certa época a indústria cinematográfica (MPAA) temia os gravadores de vídeo (VCR) mas depois que a Suprema Corte os achou dentro da lei, a MPAA abraçou a tecnologia. Suprindo o consumidor com um grande valor, eles podem continuar mantendo uma audiência nas grandes telas e vendendo fitas e DVDs dos seus filmes principais. Gente que compra DVDs de filmes não se sentem lesados e a indústria cinematográfica não reclama da redução de 20% em vendas por ano.

A indústria fonográfica e a RIAA , entretanto, são vistos pela maioria dos consumidores como sendo corruptos e se sentem explorados. Consumidores são burros. O consumidor não questiona porque seja mais barato comprar um DVD de um filme do que o áudio do mesmo filme em CD. A indústria cinematográfica deu ao consumidor uma valorização maior se ele for comprar o DVD. O consumidor faz simplesmente isto. A indústria fonográfica não dá absolutamente nada ao seus consumidores e ainda reclama que suas vendas baixaram. Aquilo que a indústrias cinematográfica faz certo e prova de ser um ganhador, a indústria fonográfica ainda se recusa a fazer. Os destaques especiais de valor adicionado em DVDs foram introduzidos há 30 anos nos discos de vídeo laser. Isto não é uma novidade mas você poderia pensar que o conglomerado RIAA, depois de 30 anos, poderia aprender algo.

As pessoas ainda amam o cinema. O MPAA dá a sua base de consumo um valor maior, custos baixos, confortos melhorados para ir ao teatro, som e sistemas de realização melhorados. O RIAA dá aos seus consumidores os litígios de advogado, ameaças, arranjos de licenciamento impossíveis e um escalada de preços de insatisfação e medíocre da sua linha de produtos. E a RIAA ainda fica querendo saber porque seus consumidores não gostam dela. A RIAA deveria dar uma boa olhada para a indústria cinematográfica. Ninguém fica olhando o mesmo filme repetidamente para sempre porém é chegado à ouvir a sua música sempre. E o filme no cinema é o melhor valor com um todo. É a mesma bilheteria, sala de espera com salgadinhos e refrescos, o auditório inclinante com as suas cadeira reclinantes para sentar e olhar a "Grande Tela". Foi sempre assim durante décadas e nunca foi motivo de se afastar deste modelo.

Quando foram desenvolvidas as tecnologias tais como DirectTV, DishNetwork, televisão a cabo e outras para oferecer um ampla distribuição dos filmes atuais, a MPAA rapidamente encarou esta tecnologia para oferecer licenciamentos razoáveis a estas companhias. Quando TiVo gravadora digital e outros chegaram ao mercado, a MPAA não andou por aí para abrir processos contra toda companhia não existente.

Agora temos a RIAA. Quando o tocador de MP3 Diamond Rio apareceu, a RIAA de imediato, tentou (sem sucesso) falir o seu começo e dando tiro. Quando a Internet tentava encontrar um caminho legal de transmitir programas de rádio pela rede, a RIAA comprou o congresso e o escritório de direitos autorais para conseguir a certeza que um plano viável de licenciamento não se torne realidade. Quando o sistema amigável de troca de arquivos (Pier-to-Pier music file sharing system) começou a persistir, a casa dos advogados da RIAA começou logo a pisar em cima destes pequenos invasores. A existência debilitada do Napster é prova disto.

Mas como foi que a RIAA tentou ajudar o consumidor e seu negócio, assim que eles pudessem tirar proveito desta nova tecnologia? Eles não o fizeram. De fato agora eles estão usando uma menina de 12 anos, aluna de colégio, seus avôs e seus consumidores mais valorizados. Será que eles estão tentando ,de toda maneira, encontrar o caminho de abraçar esta nova tecnologia para torna-la um produto viável que possa deixar todo mundo feliz? Negativo. E hoje eles continuam a oferecer seu CD.s medíocre de 10 faixas por preços ainda mais altos. Somente a Universal baixou os preços de seus CDs mas os outros selos ainda não perceberam a dica. Os preços dos concertos foram lá para cima e os ingressos agora tem todo tipo de taxas extras acrescentadas. Não tem comparação com o custo entre assistir um longa metragem ou ir a um concerto de uma noite. O concerto esta com seu preço muito exagerado. Mesmo um concerto em teatro fechado custa muito mais que um balê, filme ou outro evento, Porquê isso? Provável seja a ganância.

As lojas estão aumentando seus estoques de DVDs e não conseguem manter os campeões de venda em estoque. As vendas de CDs estão caindo e os consumidores não ligam mais para CDs. Os cinemas ainda desfrutam de grande audiência e continuam rendendo, cobrando somente alguns dólares por ingresso para produções que custam multi-milhões de dólares enquanto se vende os filmes na loja da esquina. A audiência da rádio está em baixa por causa desta falação toda e pela pobreza da seleção dos programas. Algumas estações falam tanto quanto tocam as músicas. O consumidor baixa seus MP3 e os escuta em casa, no carro, no trabalho ou aonde ele se achar. A rádio não é mais aquilo que era sua origem, um meio de entretenimento. Todas as estações são propriedade de poucas companhias e todas tem o mesmo som e ambiente. Porque não, todas são feitas do mesmo molde.

Aqui nos temos a indústria cinematográfica dirigindo a tecnologia e guiando o consumidor pelo caminho de um valor mais alto inclusive de aumentar seus lucros no meio deste trajeto. A indústria fonográfica não faz nada para guiar ninguém e acaba gerando prejuízo no seu caminho. O consumidor disse a MPAA o que ele queria e que a indústria providenciou. Parece que isto foi a melhor decisão que se podia ter tomado. A RIAA tem os seus consumidores gritando contra eles dizendo o que eles querem, e a RIAA só tem ouvidos surdos perante o consumidor. Os advogados da RIAA querem dinheiro e não querem investir em tecnologia. Esta tecnologia pode muito bem ser sua única esperança te evitar a extinção e ainda, por mais de uma década, a RIAA tem se recusada a ler o livro do jogo escrito pelas histórias de sucesso da MPAA.

A indústria da música está condenada se a sua gerência (management) não acordar para ouvir. Ouçam seus consumidores e gastam seu dinheiro mais com inovações do que com processos judiciais e intimações. A MPAA tem provado que este caminho funciona. O que a RIAA está fazendo para a indústria? Da perspectiva do consumidor, a RIAA está somente sufocando inovação, escalando os preços e fazendo nada para os seus membros de selos e consumidores. A MPAA está agindo como líder e mantém a indústria cinematográfica viva e com saúde.